DISFUNÇÃO ERÉTIL, QUANDO O PROBLEMA ESTÁ NO MÚSCULO, NÃO NA CABEÇA.

A disfunção erétil nem sempre é "coisa da cabeça", pode ser um músculo que precisa de trabalho. Descobre o papel do pavimento pélvico na função sexual masculina.

SAÚDE MASCULINA

Henrique Pedroso

5/28/20263 min read

taped yellow banana on white surface
taped yellow banana on white surface

Quando um homem tem dificuldade em manter ou obter uma ereção, a primeira explicação que aparece, da parte dele, da parceira ou do médico é quase sempre a mesma: "deve ser stress" ou "é coisa da cabeça". Há casos em que isso é verdade. Mas há um fator físico que é sistematicamente ignorado: o pavimento pélvico.

O músculo bulbocavernoso, o isquiocavernoso e outros componentes do pavimento pélvico têm um papel direto na ereção e na ejaculação. Quando estão fracos, tensos ou descoordenados, as consequências aparecem e não são psicológicas.

O que a medicina convencional ainda subestima?

A disfunção erétil afeta cerca de 50% dos homens entre os 40 e os 70 anos em algum grau. A abordagem mais comum passa por medicação (inibidores da PDE5, como o Viagra ou Cialis) ou encaminhamento para psicólogo. Ambas as vias têm o seu lugar, mas deixam de fora um componente fundamental: a avaliação musculoesquelética da região pélvica.

Em 2005, um estudo publicado no BJU International mostrou que a fisioterapia pélvica foi mais eficaz do que a medicação no tratamento da disfunção erétil em homens com disfunção do pavimento pélvico. Não foi um resultado marginal, foi uma diferença significativa. E continua a ser subvalorizado.

Porquê? Porque ainda existe uma resistência cultural enorme em associar a sexualidade masculina a um músculo que pode simplesmente estar a precisar de trabalho.

Como o pavimento pélvico interfere na ereção?

Durante uma ereção, os músculos bulboesponjoso e isquiocavernoso contraem para levar mais sangue e comprimir as veias que drenam sangue do pénis, é este mecanismo que mantém a pressão necessária. Quando estes músculos estão fracos, o sangue escapa mais rapidamente e a ereção perde-se.

Por outro lado, quando o pavimento pélvico está em hipertonia, ou seja, cronicamente contraído e tenso, pode haver compressão de nervos e vasos que também compromete a função erétil. É o oposto do problema, mas com o mesmo resultado.

Esta é uma distinção clínica importante: nem toda a disfunção pélvica tem a mesma origem. Tratar hipotonía (fraqueza) com os mesmos exercícios que se usariam para hipertonia (tensão excessiva) pode ser contraproducente. É por isso que a avaliação individualizada é insubstituível.

Os sinais que apontam para uma causa muscular

Nem sempre é fácil distinguir. Mas há indicadores que, em conjunto, sugerem uma componente pélvica muscular na disfunção erétil:

• A disfunção surgiu de forma gradual, não de um dia para o outro.

• Há tensão ou desconforto crónico na região perineal, escroto ou ancas.

• A ereção matinal mantém-se normal, mas a função durante o ato sexual está comprometida.

• Existe historial de lesão, cirurgia pélvica ou abdominal, ou prática intensa de ciclismo.

• A medicação tem efeito limitado ou inconsistente.

Se te reconheces em dois ou mais destes pontos, vale a pena considerar uma avaliação da função do pavimento pélvico antes de assumir que o problema é exclusivamente hormonal ou psicológico.

O que a fisioterapia pélvica pode fazer?

A avaliação começa por perceber se o problema é de fraqueza, tensão, ou descoordenação muscular. A partir daí, o tratamento é adaptado:

Se houver fraqueza: trabalha-se a ativação e o fortalecimento progressivo dos músculos do pavimento pélvico, com exercícios específicos, biofeedback e progressão controlada.

Se houver tensão excessiva: o foco é o relaxamento e a mobilidade, técnicas manuais, respiração, alongamentos da cadeia posterior e estratégias de gestão de stress físico.

Se houver descoordenação: treina-se a sincronização entre respiração, ativação abdominal e contração pélvica, que é frequentemente a peça que falta em homens que "tentaram Kegel" e não sentiram resultados.

Em muitos casos, a melhoria começa a ser percetível entre a quarta e a oitava semana. Não é magia, é fisiologia.

Uma conversa que ainda é difícil de ter

Sei que este não é um tema fácil de abordar. Existe uma camada de vergonha, de silêncio e de, "mas isso não me pode estar a acontecer a mim", que atrasa o diagnóstico e o tratamento em anos.

O que vejo em consulta é que, quando os homens finalmente chegam, a maioria está aliviada por perceber que há uma explicação física e um caminho concreto. Não é fraqueza. Não é destino. É um músculo que precisa de atenção, como qualquer outro.

Contato

Fale connosco para dúvidas ou sugestões

Email

contato@homeminteiro.com

© 2025. All rights reserved.