PRÓSTATA: O QUE DEVES SABER ANTES DOS 40

A maioria dos homens só pensa na próstata quando surge um problema. Mas a prevenção começa muito antes dos 50 e a informação começa agora.

SAÚDE MASCULINA

Henrique Pedroso

5/14/20264 min read

Próstata: o que deves saber antes dos 40

A próstata é provavelmente o órgão masculino mais falado nos consultórios médicos, e o menos compreendido fora deles.

A maioria dos homens só pensa na próstata quando surge um problema. E muitas vezes, quando surge, já passou tempo suficiente para que o problema se tenha instalado de forma silenciosa. A prevenção começa muito antes dos 50 e a informação começa agora.

O que é a próstata e o que faz?

A próstata é uma glândula do tamanho aproximado de uma noz, localizada abaixo da bexiga e à frente do reto. Envolve a uretra, o canal por onde a urina sai do corpo, e tem um papel central na função sexual masculina, produzindo parte do líquido seminal que nutre e protege os espermatozoides.

É um órgão pequeno com responsabilidades grandes. E como qualquer estrutura do corpo, pode sofrer alterações ao longo da vida, algumas benignas, outras que requerem atenção médica.

Os três problemas mais comuns:

Prostatite

É o problema prostático mais frequente nos homens abaixo dos 50 anos. Pode ser causada por infeção bacteriana, mas a forma mais comum, a prostatite crónica não bacteriana, tem frequentemente origem muscular e inflamatória, sem causa infeciosa identificável.

Os sintomas incluem dor ou desconforto no períneo, na zona pélvica ou nos testículos, dificuldade ou dor ao urinar, urgência urinária e, em alguns casos, disfunção erétil ou dor durante a ejaculação.

O que muitos homens não sabem é que uma parte significativa destes casos responde muito bem à fisioterapia pélvica, porque a origem é muscular, não infeciosa.

Hiperplasia benigna da próstata

Com o envelhecimento, a próstata tende a aumentar de tamanho. Este processo, chamado hiperplasia benigna da próstata, é muito comum a partir dos 50 anos, mas os primeiros sinais podem aparecer antes.

À medida que a glândula cresce, comprime a uretra e dificulta o fluxo urinário. Os sintomas mais comuns são jato urinário fraco ou intermitente, dificuldade em iniciar a micção, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e necessidade frequente de urinar durante a noite.

Não é cancro, mas precisa de acompanhamento médico regular.

Cancro da próstata


É o cancro mais diagnosticado nos homens em Portugal. A boa notícia é que, quando detetado precocemente, tem uma taxa de cura muito elevada. O problema é que na fase inicial raramente provoca sintomas, daí a importância do rastreio.

Quando começar a fazer rastreio?

Esta é uma das questões mais frequentes, e a resposta depende do teu perfil de risco.

- A partir dos 50 anos: para homens sem fatores de risco específicos, a maioria das guidelines recomenda uma conversa com o médico sobre rastreio do PSA e toque retal a partir desta idade.

- A partir dos 40 a 45 anos: se tens história familiar de cancro da próstata em pai ou irmão, ou se és de origem africana ou afro-descendente, o rastreio deve começar mais cedo. Estas populações têm maior risco e os tumores tendem a ser mais agressivos.

O rastreio não é uma decisão automática, é uma conversa informada com o teu médico, pesando os benefícios e os riscos. O que não deve acontecer é ignorar o tema por desconhecimento ou por medo.

O que podes fazer antes dos 40?

Não precisas de esperar por um problema para cuidar da tua próstata. Há hábitos concretos que fazem diferença:

- Alimentação anti-inflamatória: dietas ricas em vegetais, especialmente tomate (rico em licopeno), brócolos e outros crucíferos, estão associadas a menor risco de problemas prostáticos. Reduzir o consumo de carnes processadas e gorduras saturadas também ajuda.

- Exercício físico regular: a atividade física reduz a inflamação sistémica e está associada a menor risco de cancro da próstata. Não é necessário ser atleta, 30 minutos de caminhada diária já fazem diferença.

- Hidratação adequada: beber água suficiente mantém o trato urinário saudável e reduz o risco de infeções que podem afetar a próstata.

- Gerir o stress crónico: como vimos num artigo anterior, o stress crónico aumenta a inflamação e suprime o sistema imunitário. A próstata não é imune a estes efeitos.

- Saúde sexual ativa: vários estudos sugerem que a ejaculação regular está associada a menor risco de cancro da próstata. É provavelmente o conselho de saúde mais bem recebido da lista.

- Evitar o tabaco e o álcool: ambos aumentam a inflamação sistémica e estão associados a maior risco de problemas prostáticos a longo prazo.

O papel da fisioterapia pélvica na saúde da próstata

A ligação entre fisioterapia pélvica e próstata não é óbvia, mas é real e relevante.

Na prostatite crónica não bacteriana, a fisioterapia pélvica é uma das abordagens com maior evidência científica. Trabalha a tensão muscular do pavimento pélvico, que é frequentemente a causa ou um fator agravante dos sintomas.

Após cirurgia à próstata, a reabilitação do pavimento pélvico é essencial. A incontinência urinária e a disfunção erétil são as complicações mais comuns após prostatectomia, e a fisioterapia pélvica iniciada antes da cirurgia e retomada logo após tem um impacto significativo na velocidade e qualidade da recuperação.

Iniciar a fisioterapia pélvica antes da cirurgia, permite que o homem chegue à operação com os músculos já preparados, o que reduz significativamente o tempo de recuperação da continência urinária.

Uma última nota

A próstata não é um assunto para adiar. Não por medo, não por vergonha, não por falta de tempo.

Os homens que chegam ao meu consultório após cirurgia à próstata muitas vezes dizem a mesma coisa: "Quem me dera ter sabido isto antes." Antes da cirurgia. Antes do diagnóstico. Antes dos primeiros sintomas.

A informação que leste hoje é esse "antes". Usa-a.