PORTUGUESES GASTARAM 31 MILHÕES DE EUROS EM COMPRIMIDOS: O QUE ISSO DIZ SOBRE A DISFUNÇÃO ERÉTIL EM PORTUGAL
O número mais alto de sempre não é sobre farmácia, é sobre silêncio.
SEXUALIDADE
Henrique Pedroso
8/12/20263 min read
Em 2025, os portugueses compraram mais de um milhão de embalagens de medicamentos para a disfunção erétil, num total que ultrapassou os 31 milhões de euros, segundo dados do Infarmed. É o valor mais elevado de sempre, tanto em dinheiro gasto como em caixas vendidas. Este número não é só uma curiosidade de jornal, é o retrato mais honesto que temos de como Portugal lida com a disfunção erétil: em silêncio, sozinho, na farmácia, sem nunca chegar a uma consulta que investigue a causa.
Um problema tratado sempre da mesma forma
Há duas décadas que os números só sobem. Em 2016 foram 27 milhões de euros, e agora, em 2025, ultrapassámos pela primeira vez a marca de um milhão de embalagens vendidas num único ano. A tendência é clara, cada vez mais homens recorrem ao comprimido.
Isto podia ser lido como uma boa notícia, mais homens a tratar o problema em vez de o ignorar. E, em parte, é. Mas há um detalhe que os números não mostram, o comprimido trata o sintoma durante algumas horas, não trata a causa. E, para uma fatia significativa dos homens que compram estas caixas, a causa nunca chega a ser investigada.
Porque a disfunção erétil raramente é só "coisa da cabeça"?
Durante anos, a disfunção erétil foi tratada como um problema quase exclusivamente psicológico, ansiedade, stress, pressão de desempenho. Esses fatores existem e pesam, mas a evidência científica mostra algo mais completo, uma parte muito relevante dos casos tem origem vascular, hormonal, neurológica ou muscular.
O pavimento pélvico entra exatamente aqui. Este grupo de músculos, que a maioria dos homens nunca ouviu mencionar, tem um papel direto na ereção e na ejaculação. Quando está fraco, tenso em excesso ou descoordenado, a qualidade e a duração da ereção ressentem-se, mesmo que o desejo esteja intacto e a mente esteja tranquila.
É por isso que tantos homens tomam o comprimido, sentem alívio temporário e continuam sem perceber porque é que o problema voltou a aparecer semanas depois.
O que o comprimido não faz
Um inibidor da fosfodiesterase tipo 5 (a família de medicamentos por trás do Viagra, do Cialis e dos seus genéricos) aumenta o fluxo de sangue ao pénis durante uma janela de tempo limitada. É uma ferramenta útil e, para muitos homens, segura e eficaz. O que não faz é:
• Corrigir um pavimento pélvico enfraquecido ou hipertónico.
• Identificar se existe uma causa hormonal, vascular ou metabólica por trás da disfunção.
• Resolver o problema a longo prazo, sem o comprimido, a dificuldade regressa.
Ou seja, o medicamento compra tempo. Não substitui um diagnóstico.
O papel da fisioterapia pélvica
A fisioterapia pélvica masculina trabalha diretamente sobre um dos fatores físicos mais esquecidos na disfunção erétil, a função muscular do pavimento pélvico. Através de avaliação, exercícios específicos e, quando necessário, técnicas manuais, é possível melhorar o controlo vascular e neuromuscular envolvido na ereção, muitas vezes reduzindo a dependência do comprimido ou eliminando a necessidade dele.
Não é magia nem promessa milagrosa, é fisiologia. Da mesma forma que reabilitamos um joelho ou um ombro, também é possível reabilitar a função pélvica.
Quando vale a pena procurar ajuda
Se recorres regularmente à medicação, se a disfunção erétil apareceu de forma progressiva, ou se sentes que o problema está para além da ansiedade pontual, vale a pena procurar uma avaliação. Não para deixar de tomar o comprimido de um dia para o outro, mas para perceber, finalmente, porque é que ele é necessário.
Tens dúvidas ou queres perceber o que está por trás da tua disfunção erétil?
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