TESTOSTERONA BAIXA DEPOIS DOS 40: É ANDROPAUSA OU É SÓ CANSAÇO?

O termo está na moda, mas a explicação raramente é assim tão simples.

SAÚDE MASCULINA

Henrique Pedroso

8/19/20263 min read

Man sitting on bed with hand over face
Man sitting on bed with hand over face

Cansaço constante, menos força no ginásio, libido em baixo, sono pior do que há uns anos. Muitos homens chegam à casa dos 40 com esta lista e ouvem, de amigos ou da internet, a mesma explicação, "é a andropausa". O problema é que este termo é usado de forma tão solta que já não explica quase nada. Antes de assumires que a testosterona é a culpada de tudo, vale a pena perceber o que a ciência diz realmente sobre esta fase da vida masculina.

O que acontece de facto à testosterona depois dos 40?

É verdade, a testosterona diminui com a idade. Em média, a queda ronda 1% ao ano a partir dos 30 ou 40 anos, de forma gradual e contínua, sem quebras bruscas. Estima se que cerca de 40% dos homens com mais de 45 anos apresentem níveis baixos desta hormona. Mas atenção, ter um valor mais baixo no exame não significa automaticamente ter sintomas, e ter sintomas não significa automaticamente que a causa seja hormonal.

Porque o termo "andropausa" gera tanta confusão?

O nome "andropausa" nasceu por comparação com a menopausa feminina, mas o paralelismo é enganador. Na mulher, a produção hormonal cai de forma relativamente rápida, num intervalo de tempo curto. No homem, a diminuição é lenta e distribuída ao longo de décadas, o que significa que a maioria nunca chega a sentir uma quebra clara e identificável. É por isso que profissionais de saúde preferem termos mais precisos, como hipogonadismo de início tardio, para descrever os casos em que a testosterona está mesmo abaixo dos valores considerados normais e provoca sintomas relevantes.

O grande problema, os sintomas são inespecíficos

Cansaço, irritabilidade, menos libido, dificuldade em manter massa muscular, gordura acumulada na zona abdominal. Todos estes sinais podem estar associados a testosterona baixa, mas também podem ter outras causas completamente diferentes:

Sono mal dormido há anos, sem nunca ter sido tratado.

Stress crónico e sobrecarga de trabalho.

Sedentarismo e aumento de peso.

Apneia do sono não diagnosticada.

Consumo elevado de álcool.

Sintomas depressivos ou ansiosos.

É por isso que autoatribuir os sintomas à "andropausa" pode ser um erro, mesmo quando a explicação parece fazer sentido à primeira vista. Tratar apenas o sintoma sem perceber a causa raramente resolve o problema de forma duradoura.

Como se confirma se é mesmo testosterona baixa?

O único caminho fiável é a avaliação clínica, com análise ao sangue feita de manhã (altura do dia em que os valores costumam estar mais elevados), repetida numa segunda ocasião para confirmar o resultado. Só depois de valores baixos confirmados, associados a sintomas relevantes, é que faz sentido falar em hipogonadismo e considerar opções de tratamento. Fazer um exame isolado, sem repetição e sem contexto clínico, não é suficiente para tirar conclusões.

Onde entra a fisioterapia pélvica?

Mesmo quando a testosterona está dentro dos valores normais, muitos dos sintomas que os homens associam à "andropausa" (como dificuldade em manter a ereção) têm também uma componente muscular e vascular que raramente é avaliada. Trabalhar o pavimento pélvico pode melhorar a função sexual e a qualidade de vida, independentemente de existir ou não uma alteração hormonal de base. É uma peça do puzzle que costuma ficar de fora quando o foco está apenas nos números do exame.

Resumo, o que levas daqui

A testosterona desce, em média, cerca de 1% ao ano a partir dos 30 ou 40 anos, de forma gradual

Nem todo o cansaço ou queda de libido depois dos 40 é "andropausa"

Os sintomas são inespecíficos e podem ter causas como sono, stress ou sedentarismo

Só a análise ao sangue, repetida e associada a sintomas relevantes, confirma o diagnóstico

A fisioterapia pélvica pode ajudar na função sexual, independentemente da causa hormonal

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